Design e Designers

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Terá sido a conjuntura de crise (a crise económica, a crise do mercado editorial, a eventual crise do design português) a levar Jorge Silva a propor a Coleção D à Imprensa Nacional da Casa da Moeda. O que poderia ter sido a publicação de uma volumosa monografia dedicada a João da Câmara Leme acabou por dar lugar a uma colecção de livros de pequeno formato capaz de dar a conhecer a história (inclusivamente a mais recente) do design português.

O interesse de Silva pela história do design português vinha de há muito, alimentado pela construção de uma imensa colecção particular, que foi sendo trabalhada (fotografar ou digitalizar, classificar, descobrir a autoria a partir de uma assinatura ou tentar adivinha-la a partir de um estilo gráfico) e gradualmente partilhada, primeiro de forma informal, partilhando o prazer e o conhecimento que os objectos gráficos podem despertar, mais tarde de uma forma mais intencional através da D ou do Almanaque do Silva.

 O primeiro volume da Coleção D é publicado pouco tempo depois da edição do catálogo Sena da Silva, desenhado pela Silva!Designers para a Fundação Calouste Gulbenkian, mas nos meses que medeiam uma e outra publicação as transformações da conjuntura económica foram profundas. O Sena da Silva é um magnífico livro, de confortável orçamento, que marca o fim de uma era talvez iniciada pelos primeiros ambiciosos projectos editoriais de Sebastião Rodrigues e proficuamente continuados nos imensos livros desenhados por José Brandão para a Gulbenkian.

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A D é outra coisa, mas não necessariamente coisa menor. Inspirada na colecção Design&Designers da Pyramid, que por sua vez se inspirava nos livrinhos de design, de formato quadrado, publicados pela Studio Vista nos anos 60, oferecem-nos um muito manuseável livro (formato 18 x 15 cm) com 90 e poucas páginas e conteúdo sumarento: um texto de introdução (bilingue, possibilitando a desejável internacionalização) e um catálogo de trabalhos e, ocasionalmente, imagens de processo.

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A despeito do crescente interesse ou obrigação (mestrado e doutoramento oblige) em conhecer a história do design português, tirando os blogues de Mário Moura  e Pedro Marques  e, algumas esparsas publicações (vide “Design Gráfico em Portugal” de Margarida Fragoso e as publicações de Theresa Lobo pelo IADE) o panorama é ainda demasiado pobre.

 6 volumes depois (R2; Victor Palla; Pedro Falcão; Paulo-Guilherme; Marco Sousa Santos; Fred Kradolfer) e com mais três na forja ou no prelo (Fernando Brízio, Luís Miguel Castro e Sebastião Rodrigues) a D é uma colecção incontornável, seguramente o mais importante projecto editorial em Portugal, na área do design, de há muito. Sendo a lista de eventuais futuros números no limite do inesgotável (cada um terá as suas preferências, pessoalmente de Roberto Nobre a Armando Alves tenho inúmeras) fazem-se votos para que a perseverança de Silva e a aposta da INCM se mantenham.

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