Onde pára o design?

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Há 40 anos davam-se os primeiros passos rumo a uma institucionalização do design português. Não existiam licenciados em design e os primeiros cursos, nas Escolas Superiores de Belas-Artes de Lisboa e do Porto, só serão formalizados em 1974.

Mas no entanto, há 40 anos, era frequente encontrarmos artigos sobre design publicados em revistas portuguesas, fossem elas mais especializadas (Gráfica 70; Binário; ESBAL 63; Estética Industrial; Arquitectura) mais abrangentes (Arte; Atrium; Indústria Portuguesa; Plásticos; Colóquio Artes; Nova Indústria) ou generalistas (Vida Mundial; Flama; Observador).

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Também nos jornais, fossem peças jornalísticas ou texto de crítica escritos por pessoas da área (Sena da Silva; Maria Helena Matos, Calvet Magalhães; João Constantino entre outros) era possível ler-se sobre design, inclusivamente em jornais diários como o Diário de Lisboa ou o Diário Popular.

Ao longo destes quarenta anos, surgiram e multiplicaram-se as escolas e os cursos, os designers e os ateliers, os alunos e os professores; a Web possibilitou novas formas de comunicação, alargando o fórum em torno do design. Daí esta sensação de desconforto ao verificarmos que a validade do design, o interesse que ele gera no público exterior à área e o reconhecimento que lhe é dado por exemplo por editores dos media tradicionais não é hoje superior (pelo contrário, provavelmente) ao que existia há quarenta anos.

No seu facebook o Designer Marco Sousa Santos dirigiu a seguinte mensagem aberta à Directora do Público, indignado com a inexistência de uma atenção ao design no seu espaço de “Cultura”:

“Exma Directora do Público

Não estaremos já ao nível da imprensa Europeia onde o Design é visto como Cultura?
O que nos falta? perspicácia ou informação?
Vá lá, não custa nada e talvez a “cultura” tenha algo a ganhar…”

Marco Sousa Santos deixa uma questão em aberto: “O que nos falta?”. Neste, como em outros casos, a desresponsabilização não é boa conselheira. Independentemente das responsabilidades dos outros, é aos designers, às escolas de design, às Associações, que compete essa valorização, essa educação e esse lobby.

4o anos depois ainda há muito caminho por percorrer.

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2 thoughts on “Onde pára o design?

  1. “Só” falta passar do bla bla à ação. Nos meus parcos anos como profissional contam-se pelos dedos aqueles que encontrei dispostos a agir em nome do interesse colectivo dos designers. Vejo muita motivação em desabafos virtuais mas a realidade contradiz essa aparência.

  2. O bla bla é importante, ó Luís, para motivar aqueles com capacidade de resposta ao problema colocado, assim que ele é identificado por tão perpicaz desabafo, e ainda por cima de livre acesso… Tal como autores beneficiam da colaboração de editores, a resposta muitas vezes só aparece face à pergunta. Que fazem as ditas pessoas “produtivas”? Filosofia barata vendida em pacotes bonitos. Não, não basta apenas passar à ação…

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