Keep On Going

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Abril está à porta e à semelhança dos anos anteriores serão bastantes os eventos de design a ter lugar em Portugal. Às principais escolas de design (que têm visto nos projectos curatorias um meio de valorização do trabalho feito, de apresentação dos alunos ao mercado e de atracção de futuros alunos, para além de espaço específico de criação projectual) foram-se, progressivamente, juntando associações e iniciativa individual na criação de eventos que, embora ainda presos ao modelo tradicional de conferencia, vão procurando experimentar novos formatos de comunicação.

Quando comecei a organizar eventos de design, nos anos 90, eram muito raras as oportunidades de vermos um estúdio de design apresentar o seu trabalho. Quando esses eventos aconteciam, nem sempre eram bem comunicados, resultando em coisas semi-falhadas que contribuíam para legitimar a passividade de alguns escudada no argumento da inexistência de público para acontecimentos de design.

A Experimentadesign, a partir de 1999, seguida do sucesso do Congresso USER (R) e do ciclo Personal Views contribuíram, de forma decisiva, para a criação e educação do público. Nos últimos 15 anos, foram-se multiplicando as ocasiões onde é possível conhecer o trabalho de designers internacionais e sobretudo na última década essa oportunidade de partilhar trabalho e ideias foi-se estendendo, por reconhecimento de valor e por limitação de orçamento, aos designers portugueses.

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A situação actual pode-nos levar, inclusivamente, a falar de excesso de oferta, com alguns nomes a sentirem necessidade de repetir, em momentos diferentes, a mesma apresentação e parte do público, mais atenta, a já não reconhecer novidade ou entusiasmo cada vez que um evento anuncia o seu programa. Para as escolas de design, o abrir de portas e a realização de eventos, foi-se tornando quase uma obrigação o que retira, muitas vezes, capacidade para criar uma identidade crítica pensando, de forma pertinente, nos diversos aspectos ligados à produção e à recepção de conteúdos. O estado actual de coisas caracteriza-se por um certo keep on going, um seguir em frente, ainda activo, mesmo que, por vezes, não totalmente controlado.

Por outro lado, é verdade que esta energia canalizada para a realização de eventos não deixa de poder ser lida, em tempos de pessimismo, com uma reacção ideológica perante a crise, um esforço pro-activo perante o actual contexto depressivo.

A intensa agenda de Abril, no campo do design, arrancou na verdade em Março, com o Dia D (organizado em Barcelos pelo IPCA) e o Tudo Isto é Design (FBAUP) e termina já em Maio com o Comunicar Design (organizado nas Caldas da Rainha pela ESAD.CR).

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Em relação a Abril, a primeira semana oferece-nos uma, muito adequada reflexão sobre A Escola Ideal. Ainda em contexto académico, explorando novas aproximações entre a academia e os estúdios profissionais, decorre na FBAUL o RUN STUDIO RUN; ainda por estes dias iniciam-se, em Coimbra, mais um Ciclo de Conversas Design + Multimedia organizado por Artur Rebelo e Nuno Coelho; no final da semana, em Lisboa, realiza-se o BE.PT Day’13.

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Na semana seguinte, vai acontecer nova edição do Plug & Play (dias 10 e 11) no Hard-Club do Porto; entre 17 e 19, tem lugar a 23ª edição do Artec, no Instituto Politécnico de Tomar; o último dia de Artec, coincide com a conferência de Michel Bouvet na ESAD de Matosinhos no âmbito dos Personal Views.

O final do mês não nos permite abrandar, em Coimbra ocorre o Brevemente e na FBAUP, no fim de semana prolongado, há mais um Encontro Nacional de Estudantes de Design com intensa programação.

Mesmo a fechar o mês, na tarde de dia 30, há lugar a mais um World Graphics Day, desta vez no Teatro Municipal Constantino Nery em Matosinhos, reunindo uma vintena de estúdios, designers e ilustradores.

Cada um destes acontecimentos, constitui-se como um forum que pode possibilitar uma discussão alargada sobre o presente e o futuro, o papel das escolas, das associações, dos estúdios, das empresas, da iniciativa individual. O estado de urgência em que vivemos, responsabiliza-nos a não desaproveitarmos estas oportunidades, a pensarmos estes acontecimentos também como um meio que nos poderá levar a outros fins.

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